quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

HAMLET:
"... quem suportaria o açoite e os insultos do mundo,
a afronta do opressor, o desdém do orgulhoso,
as pontadas do amor humilhado, as delongas da lei,
a prepotência do mando, e o achinchalhe
que o mérito paciente recebe dos inúteis,
podendo, ele próprio, encontrar seu repouso
com um simples punhal? Quem aguentaria fardos,
gemendo e suando numa vida servil,
senão porque o terror de alguma coisa após a morte -
o país não descoberto, de cujos confins
jamais voltou nenhum viajante - nos confunde a vontade,
nos faz preferir e suportar os males que já temos,
a fugirmos pra outros que desconhecemos?
E assim a reflexão faz todos nós covardes.
E assim o matiz natural da decisão
se transforma no doentio pálido do pensamento.
E empreitadas de vigor e coragem,
refletidas demais, saem de seu caminho.
Perdem o nome de ação..."

(W. Shakespeare)

Um comentário:

  1. Grande Paulo! Sempre nos brindando com essas pérolas do pensamento universal. Aliás, sempre é bom revisitar esses grandes mestres. Só assim a gente consegue apreender as nuances da riqueza destes pensadores que quando mais jovens e numa primeira leitura deixamos passar.
    Mas reitero: gostaria de ver mais da lavra do próprio amigo.
    Un abraccio, mio caro!

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