Não é preciso ler manuais filosóficos ou de auto-ajuda pra saber que a felicidade é a meta diária e perene de todo homem, em qualquer canto do planeta (excluindo-se situações anômalas, de tipos que não estão no exercício da sanidade mental: depressivos, suicidas, fundamentalistas políticos e religiosos, etc.)
Assim como o gosto pelo conhecimento, na lição de Aristóteles (“todo homem tende por natureza ao saber”), tornar-se ou ser feliz é o interesse mais essencial da natureza humana. Porém, até hoje não se chegou a um consenso sobre o conceito de felicidade. Os homens comuns tratam de tentar vivê-la no dia a dia, enquanto os filósofos têm se esforçado pra defini-la, em vão até o momento, lançando sobre uma realidade escorregadia as redes dos conceitos e recolhendo-as vazias.
Cada qual com seu próprio conceito de felicidade, diferente de todos os outros, como impressões digitais da alma ou do espírito. O mundo gira e cada um vai tentando ser feliz com o que tem à mão, com as lembranças do que foi e teve, com os projetos e esperanças do que poderá vir a ser. Todo aquele que não se crê feliz, a fim de suportar-se existencialmente (ou seja, manter-se vivo), tem de esperar que um dia venha a ser, ou seja, a esperança é o refúgio que se tem pra enfrentar os assédios da infelicidade e buscar a vitória, uma vitória parcial, que precisamos renovar todo dia, deixando em suspenso na partitura do tempo a solução final.