Muitas das obras ou instalações que abundam nas Bienais de arte pelo mundo, podem ser postas à conta de algo "sem pés nem cabeça". Assim também certo gênero de pintura dita "abstrata" que abarca composições obtidas de uma intervenção algo rústica do pintor frente à tela ou do artista com os materiais que usa, no caso da pintura não raro jogando e misturando tintas sem qualquer caminho racional aparente, muitas vezes usando os pés, as mãos, saliva e outras partes do corpo ou secreções menos publicáveis no processo criativo.
A nós parece que tais “obras de arte” realizam o que o surrealismo preconizou como regra básica em literatura: o automatismo, ou seja, escrever o que viesse à cabeça, num fluxo contínuo, desencadeando assim, acreditava-se, mais as forças do subconsciente do que as da razão. Convenhamos em que esse tipo de manifestação, no âmbito das artes plásticas, pouco tem de "artístico" e muito de improvisação errante. Qualquer um que tenha à mão tela e tintas poderá produzir um resultado final muito semelhante.
Alguma coisa se perdeu pelo caminho. É bem provável que se chegou a esse ponto de classificar como arte tais produtos, por injunções políticas de academias, marchands, galerias de arte, ansiosos por novidades ou por inaugurar alguma vanguarda, talvez mais comumente nos períodos em que os movimentos artísticos chegavam a um nível de estagnação ou saturação.
Em nossa modesta opinião, o valor artístico em pintura reside muito mais na chamada "arte figurativa", para cuja execução o pintor é obrigado a conhecer desenho e a dominar as técnicas inerentes à pintura. Aqui sim podemos apreender o domínio do gênio e não das forças automáticas ou irracionais da mente humana, as quais deveriam ficar restritas ao estudo da psicologia.
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