RELATÓRIO DOS DIAS
...talvez no mínimo
território acuado entre a espuma e o gneiss,
onde respira – mas que assustada – uma criança apenas (CDA)
Quero viver cada dia
como se fosse o primeiro
ou o último.
Quero acesso
ao território circunscrito do abraço
e do encontro consumante
com os lábios da amante.
Quero equilíbrio
para cruzar o dia
com o mínimo de dor e guerrilha.
Quero encontrar a mim mesmo
nos limites da carne
e da esperança
na dança
das mãos estendidas
e afetos abertos.
Quero estar lúcido
para o que apenas se insinua
à superfície dos outros...
Quando chover
caminharei na chuva
desprezando as marquises.
No frio
tremerei com todos os dentes
até o sol nascer da minha espera.
Poucas vezes estarei só:
a solidão dispersa os melhores sonhos
e quando estiver contigo
serei oásis
colher
telhado
e você será meu cais
farol
rosa-dos-ventos...
Não queimarei incenso
aos deuses do porvir,
e sentirei que se vingam
no crepitar das tempestades.
O sagrado e o profano
lutam em mim sem trégua,
e no fim
aguardarei um novo
começo...
P C Saccomori