terça-feira, 1 de abril de 2014

RELATÓRIO DOS DIAS

Um ano depois, um poema (ou tentativa de...):





RELATÓRIO DOS DIAS




...talvez no mínimo

território acuado entre a espuma e o gneiss,

onde respira – mas que assustada – uma criança apenas (CDA)


 



Quero viver cada dia

como se fosse o primeiro

ou o último.

Quero acesso

ao território circunscrito do abraço

e do encontro consumante

com os lábios da amante.

Quero equilíbrio

para cruzar o dia

com o mínimo de dor e guerrilha.

Quero encontrar a mim mesmo

nos limites da carne

e da esperança

na dança

das mãos estendidas

e afetos abertos.

Quero estar lúcido

para o que apenas se insinua

à superfície dos outros...

 

Quando chover

caminharei na chuva

desprezando as marquises.

No frio

tremerei com todos os dentes

até o sol nascer da minha espera.

 

Poucas vezes estarei só:

a solidão dispersa os melhores sonhos

e quando estiver contigo

serei oásis

colher

telhado

e você será meu cais

farol

rosa-dos-ventos...

 

Não queimarei incenso

aos deuses do porvir,

e sentirei que se vingam

no crepitar das tempestades.

O sagrado e o profano

lutam em mim sem trégua,

e no fim

aguardarei um novo começo...

 
P C Saccomori