sexta-feira, 6 de abril de 2012

O MUNDO NÃO LÊ

          Pesquisa recente divulgada pelo instituto Research and Development, da Universidade de Harvard, constata que a humanidade que chega ao início do segundo milênio não lê. No que se refere ao Hemisfério Oriental do planeta, África e América Latina em geral, a constatação não se constitui em novidade, posto que a leitura nunca chegou a estabelecer-se como rotina ou projeto, no caso da maioria dos regimes ditatoriais seja pela própria destruição do acervo literário da tradição, promovida pelos revolucionários quando assumiam o poder político, exemplo que foi seguido pelos nazistas incineradores de livros, em época não muito distante, seja, nos antigos regimes comunistas, pela invasão do capitalismo com seu séquito de ilusionismos e atrativos de entretenimento, que deixam a leitura na lona (nocaute no primeiro round).
          No Hemisfério Ocidental do planeta a constatação pode gerar alguma surpresa. No entanto, a pesquisa é clara e aponta para o fato de que o pequeno contingente de leitores que ainda remanesce se restringe aos sobreviventes das duas ou três gerações nascidas após a Segunda Guerra, ou seja, um contingente envelhecido e cada vez mais diminuto, normalmente afastado do poder político e decisório.
          Os prognósticos para o futuro próximo indicam a falência da estrutura de editoras e livrarias no formato atual, num processo idêntico ao que acomete a indústria fonográfica e cinematográfica. O leitor do futuro, se existir, deverá ser algo parecido a um manipulador de e-books, com as córneas e cristalinos lenta e gradativamente torrados pela radiação implacável das telas luminosas. Os poucos livros de papel que restarem e, com o tempo, o próprio papel, serão cuidadosamente acondicionados em museus decadentes, eventualmente visitados por saudosistas tomados de alguma febre passadista ou pelos novos, uma vez na vida, movidos pela curiosidade de saber do que se trata, afinal, essa coisa tão comentada pelos avós como tendo sido a mais comum, talvez de todos os tempos, a ponto de dar nome às próprias civilizações do passado recente: Civilizações do Papel.

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