quarta-feira, 4 de abril de 2012

... mas o coração tem sua memória e eu nada esqueci da nossa bela capital, nem dos seus cais. Paris é uma verdadeira ilusão de ótica, um magnífico cenário habitado por quatro milhões de silhuetas. Ou quase cinco milhões, segundo o último recenseamento? Bem, eles devem ter feito filhos. Não me surpreenderia. Sempre me pareceu que nossos concidadãos tinham duas paixões desenfreadas: as idéias e a fornicação. A torto e a direito, por assim dizer.  Aliás, procuremos não condená-los: não são os únicos, é o mesmo em toda a Europa. Às vezes imagino o que dirão de nós os futuros historiadores. Uma só frase lhes bastará para definir o homem moderno: fornicava e lia jornais. Depois dessa forte definição, o assunto ficará, se assim posso me expressar, esgotado.




ALBERT CAMUS

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