domingo, 2 de janeiro de 2011

Fascismo


"... a memória individual pode ser boa ou má; mas a memória coletiva é má. Recordemos, pois, que muitos estadistas ingleses elogiaram Mussolini assim como o senhor Emil Ludwig, diga-se de passagem; o rearmamento alemão foi facilitado por financistas ingleses, franceses e norte-americanos; até Pearl Harbor, os empresários dos Estados Unidos venderam petróleo e aço ao império japonês; durante a mesma guerra a Standard Oil de Nova Jersey vendeu ao monopólio químico alemão a fórmula que reduzia à metade o custo da borracha sintética, enquanto a negava ao seu próprio governo; estadistas da Inglaterra, França e Estados Unidos deixaram que os fascistas italianos e os nazistas alemães fizessem e desfizessem na Espanha; essas mesmas pessoas, enfim, facilitaram a destruição da infortunada Tcheco-Eslováquia e se apressaram a entregar aos alemães o ouro que essa nação guardava no banco internacional.  Todos esses fatos revelam que, enquanto o nazismo não foi uma ameaça contra alguns impérios, contou com o apoio entusiasta de muitos banqueiros e estadistas não-alemães. Não se trata aqui de uma teoria, mas de um conjunto de fatos;..."

(Ernesto Sábato)

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