segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Não é preciso ler manuais filosóficos ou de auto-ajuda pra saber que a felicidade é a meta diária e perene de todo homem, em qualquer canto do planeta (excluindo-se situações anômalas, de tipos que não estão no exercício da sanidade mental: depressivos, suicidas, fundamentalistas políticos e religiosos, etc.)

Assim como o gosto pelo conhecimento, na lição de Aristóteles (“todo homem tende por natureza ao saber”), tornar-se ou ser feliz é o interesse mais essencial da natureza humana. Porém, até hoje não se chegou a um consenso sobre o conceito de felicidade. Os homens comuns tratam de tentar vivê-la no dia a dia, enquanto os filósofos têm se esforçado pra defini-la, em vão até o momento, lançando sobre uma realidade escorregadia as redes dos conceitos e recolhendo-as vazias.

A noção de felicidade é a mesma pra todo mundo ou cada povo ou mesmo cada ser humano terá a sua? É um estado de espírito permanente ou uma soma de momentos pinçados da sucessão nem sempre feliz dos dias? Para muitos, a felicidade consiste em aproveitar a vida. Nada mais evidente. Porém, esse aproveitar a vida, em que consistiria? Não é difícil farejar a presença de um círculo vicioso. Outros dizem que é coisa que se possa sentir, mas não conceituar. O mais provável é que cada um tenha seu conceito pessoal de felicidade, forjado no lastro das experiências passadas e nas expectativas que tem para o futuro, enquanto, porém, é no presente que se dá toda possibilidade de viver ou ser feliz.

Cada qual com seu próprio conceito de felicidade, diferente de todos os outros, como impressões digitais da alma ou do espírito. O mundo gira e cada um vai tentando ser feliz com o que tem à mão, com as lembranças do que foi e teve, com os projetos e esperanças do que poderá vir a ser. Todo aquele que não se crê feliz, a fim de suportar-se existencialmente (ou seja, manter-se vivo), tem de esperar que um dia venha a ser, ou seja, a esperança é o refúgio que se tem pra enfrentar os assédios da infelicidade e buscar a vitória, uma vitória parcial, que precisamos renovar todo dia, deixando em suspenso na partitura do tempo a solução final.



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